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sexta-feira, 24 de julho de 2020

VACA BRAVA NO FERRAGUDO

VACA BRAVA NO FERRAGUDO




Era uma noite de verão de meados Agosto quando o Chico Móca se lembrou que ao sol-posto tinha visto entrar alguns pardais para o beiral do seu telhado, morava na casa dos seus pais que penso ainda hoje lhe pertence entre o Zé Fortunato e a ti Maria Russa. Do outro lado da estrada e depois de terminado o acentuado desnível existente, morava a ti Mariana Canuda e o marido António João Chato que sendo pequenos seareiros eram simultaneamente proprietários do forno que sendo privado tinha funções comunitárias, servia para toda a gente cozer o pão a troco do pagamento em trigo ou com o próprio pão, analisada as hipóteses de caçada decidimos não avançar essa noite, havia que comprar pilhas para as lanternas e principalmente avisar o ti Manel da Barrada mais a ti Maria Ramalha pais do Chico Moca do que se iria passar, não fossem eles apanhar um valente susto ao ouvir mexer no telhado, já que á época quase todos eles eram de telha vã ou na melhor das hipóteses de caniço. Reunimos no alto do Ferragudo como era hábito, da horta da coutada já havia chegado o Manel Rela, do outro lado da estrada o Armando e o Zip assim alcunhado porque á época existia o conhecido concurso televisivo com o mesmo nome, cujo símbolo era um bonequinho com uma grande trunfa (cabeleira) a fazer lembrar a do Zip na época, porque jantava um pouco mais tarde também se atrasou o Relâmpago exímio executante da velocidade na arte de andar de motorizada o que lhe valeu a alcunha, com uma desculpa aceite por todos chegava em ultimo o Móca tinha ficado para trás a ver entrar os pardais par o beiral, eram muitos dizia ele, por isso a expectativa era grande, por unanimidade resolvemos optar por outros passatempos primeiro e só já serão avançado iríamos aos pardais. Chegada a hora apanhámos as lanternas e já perto da meia-noite descemos os escassos metros que nos separavam da curva da estrada, do lado oposto a casa do Moca e apenas com a estrada de permeio ainda hoje existe uma centenária oliveira que em noites de luar projeta a sua sombra sobre o alcatrão, do mesmo lado da casa e um pouco mais abaixo começavam as varandas, que no seu inicio não terão mais que 40 ou 50 centímetros de altura, feito o reconhecimento decidimos avançar, havia que tentar fazer o menor barulho possível, a parede não era muito alta por isso tinha-mos decidido que não era necessário escada, bastaria um ás cavalitas de outro para conseguir chegar ao beiral, com imenso cuidado e amparados pela própria parede lá fui eu com o zip ás cavalitas tentando elevá-lo até á altura do beiral, o que tinha a lanterna afastou-se um pouco mais para ganhar ângulo e segundo as indicações gestuais do Moca lá íamos metendo a mão nos buracos e apanhando alguns pássaros, tudo decorria normal até que como que pressentindo algo atrás de si o que tinha a lanterna virou-a na direção da oliveira e tentando fazer o menor barulho possível exclamou, olhem lá o que está ali !!! na sombra da oliveira e apenas á distancia da largura da estrada completamente expectante olhando para nós uma vaca brava, ainda com as bolas ( proteção em cabedal usado no gado bravo para saírem á arena) metidas como se tivesse acabado de sair á arena, um turbilhão de coisas nos passou pela cabeça, o primeiro a entrar em pânico foi o Zip, não porque tivesse mais medo que nós mas porque á altura que estava e devido ao precário equilíbrio rapidamente se imaginou a bater com os canastros no chão, e, supostamente a ser apanhado pela vaca, o segundo fui eu que com o Zip ás cavalitas também não iria muito longe e seria seguramente apanhado, felizmente ninguém fugiu até que eu para reduzir a altura fleti um pouco as pernas para tentar desapear o zip, ambos nos desequilibramos e foi de gatas e ao trochos mochos que todos conseguimos chegar ao inicio das varandas com escassos centímetros de vantagem sobre a vaca, já que esta investiu contra nós quando fugimos, uma vez aí e já com relativa segurança das varandas fizemos uma pequena tourada com várias investidas do bicho, voltou para trás até desaparecer no escuro junto ao posto da guarda fiscal do Telheiro. Até hoje não sabemos de onde veio nem para onde foi o dito animal.


Gostaria de dedicar este pequeno episódio ao nosso amigo Armando Oliveira infelizmente já desaparecido, e dizer-lhe que não contei a estória que ele queria que eu contasse, mas que contei esta, e contarei muitas outras onde ele também foi protagonista, que descanses em paz Armando.


“Fotos e texto: Isidro Pinto”




segunda-feira, 6 de julho de 2020

MONSARAZ POEMA

MONSARAZ
Tem a forma de um navio
ou de traineira reluzente
é pérola para todo o mundo
é berço de muita gente.


É uma das maravilhas
em concurso foi eleita
em festas e romarias
já vai ficando atreita.


É pintada por pintores
de poetas inspiração
é terra pulsante em cores
que transporto no coração.


É Vila Medieval Alentejana
de cor branca caiada
o sopé beijado por Alqueva
de Monsaraz é chamada

"Autora: Gertrudes Fernandes"
Todos os direitos reservados á autora






segunda-feira, 23 de março de 2020

O SERRANO E AS SEMENTES DE MANJERICO

O SERRANO E AS SEMENTES DE MANJERICO


Monsaraz tinha á época duas Tabernas o Bragança (posterior Alcaide) e o Pintassilgo (posterior Lumumba) sendo que a maioria dos Montesarenses salvo raríssimas exceções eram clientes de ambos, as tabernas do ponto de vista social desempenhavam um papel importantíssimo não só em Monsaraz mas em todas as aldeias, eram um elo de ligação e socialização entre as pessoas nomeadamente a população masculina, era um hábito enraizado vir do trabalho e passar pela taberna, daí o termo de vinho do trabalho e que não raras as vezes descambava em cante Alentejano. O Outono mostrava-se prometedor para semear os quintais, já havia chovido e com as terras ainda quentes era rápida a germinação, lembrou-se disso nesse dia o Serrano e entre um copo e outro copo disse ao Bragança, ó Bragança !!! Eu ando a trabalhar no Barrocal e não posso ir a Reguengos tu vais lá tanta vez devias trazer-me umas sementes de espinafre, parece que há agora uns modernos de folha larga e lá deves arranjar, ó Caeiro está descansado !!! Dizia o Ti Bragança, o dia que lá for já te as trago. Passado alguns dias e estando o Caeiro Serrano na taberna lembrou-se o Bragança da encomenda e disse !! olha Caeiro já fui a Reguengos e tenho aí as sementes dos espinafres que me pediste. Podes-me as dar já, que amanhã é Domingo e tenho vagar para os semear respondia o Serrano, tirou o Bragança debaixo do balcão um pequeno cartucho de papel pardo cheio de sementes que entregou ao Serrano, movido pela natural curiosidade desdobrou um pouco o cartucho e palpou as sementes exclamando !!! e pá estes espinafres da folha larga têm umas sementes esquisitas !!!, logo se apressou o Bragança a responder, então não foi desses que me pediste ? sim, sim, respondeu o Serrano, logo algum engraçadinho ao balcão ironizava, este ano com esses da folha larga até o Burro vai comer espinafres. O tempo foi passando sem que ninguém mais voltasse a falar dos espinafres, até ao dia em que o Serrano devidamente acomodados dentro de um cesto o encheu de manjericos e saiu Monsaraz fora vendendo manjericos. O Bragança TINHA-O ENGANADO COM AS SEMENTES, E EM VEZ DE ESPINAFRES NASCERAM MANGERICOS, não deu o nosso homem parte de fraco e lá foi tentando vender a mercadoria apregoando, MANGERICOS DO ARRABALDE, CRIADOS NA GRAÇA DE DEUS e Como Deus por vezes escreve direito por linhas tortas logo lhe sai ao caminho a Tia Margarida Bragança, Ti Caeiro !! Ti Caeiro !! então a como são os manjericos ? Acordado o preço e com um sorriso contido mas interiormente de orelha a orelha lá consumou o negócio. Parte da vingança estava cumprida, saiu de ali completando o pregão, MANGERICOS DO ARRABALDE / CRIADOS NA GRAÇA DE DEUS / PENSAVAS TU BRAGANÇA / QUE ERAS MAIS ESPERTO QUE EU. Mas não ficaria por aí. Com o Verão a aproximar-se e começando a ser tempo de semear o feijão de meloal (vulgo feijão frade) comentava o Bragança que tinha que trazer de Reguengos feijão-frade para semear, logo se apreçou o Serrano, que nesse dia estava com as delicadezas e respondeu Ó João José Bragança, não precisas, eu já semeei o meu e sobrou-me algum, quando me lembrar já te o trago para cima, e assim aconteceu. Com o tempo de sementeira quase a esgotar-se e os calores estivais a chegarem, queixava-se o Bragança que havia semeado e ressemeado várias vezes o feijão e este não nascia, SORRIA MALICIOSAMENTE O SERRANO, JÁ QUE LHE HAVIA DADO UMA MUITA LIGEIRA FERVURA, PARA LHE TIRAR A CAPACIDADE DE GERMINAÇÃO. A vingança estava cumprida, ainda hoje quando alguém lhe corre mal os labores agrícolas se usa a expressão ELE OU ELA É COMO O SERRANO, SEMEIA ESPINAFRES NASCEM MANGERICOS. Que saudades desse Monsaraz.


"Texto de Isidro Pinto"



sábado, 18 de janeiro de 2020

SERRANO E A FUROA BRANQUINHA DO LUMUMBA


Serrano e a furoa branquinha do Lumumba




Muitas são as estórias que me recordo mas sem dúvida que aquele que mais as protagonizou foi o Serrano, homem simples a quem a sorte nem sempre bafejou. Trabalhador rural exemplar, exímio executante da poda do olival, talvez pela amizade e admiração que ele tinha pelo meu pai sempre recordo o Serrano com muito carinho, bom homem, amigo de todos e muito estimado pela comunidade Montesarense. Muitas são as histórias que se contam dele mas uma das que eu acho mais pitoresca é sem dúvida a do furão, era um fim de tarde de um Dezembro já adiantado e como era hábito nesse tempo vinha-se diretamente da caça para a taberna não era necessário bolsa para as espingardas e muito menos cadeados e não me recordo do mais pequeno incidente com armas nessa época, eram outros tempos, hoje há uma autentica perseguição a quem quiser possuir ou transportar legalmente uma arma, nesse dia provavelmente com alguma sorte já que constava que não era grande atirador trazia o Serrano dois ou três coelhos, a taberna estava quase cheia era a hora do vinho do trabalho, e, Monsaraz nessa época tinha muita gente, o Serrano entrou, tirou de tiracolo a velhinha espingarda que teve o cuidado de abrir e encostar a um canto da taberna, as pernas cansadas pelo calcorrear das Lameiras e serra do Xerez pediam-lhe um lugar sentado, alguém lhe cedeu um lugar numa das pequenas mesas encostadas á parede do lado esquerdo, tirou a cartucheira de onde jaziam pendurados os três coelhos e dispôs-se a abrir o pequeno talego que levara com a merenda onde havia sobrado um pouco de toucinho e um pequeno naco de pão, para acompanhar pediu um copo de vinho, ao balcão, além de muitas outras pessoas estavam também dois guardas da venatória sendo um deles o Ferreira, amigo pessoal do taberneiro Lumumba e conhecido ali de quase todos os presentes, um copo e outro copo e a noite foi chegando, as interpelações ao Serrano eram constantes, alguém dizia, três coelhos para o Serrano só se foi de furão, livra nem pensar, respondia o Serrano, um copo mais e alguém voltava novamente á carga questionando a origem dos coelhos, depois de alguns copos a bexiga já pedia uma ida á casa de banho que neste caso ficava no outro estremo da casa depois de passar o restaurante, longe de imaginar o que lhe iriam fazer dirigiu-se o nosso amigo Serrano á casa de banho tendo ficado por lá um bom bocado. Regressado ao convívio da taberna alguém voltou a insistir na história do furão desta vez é o Lumumba que também diz que três coelhos só de furão, ó Ferreira você como autoridade podia-o revistar e ver se ele fala verdade dizia outro, fazendo jus á sua idoneidade logo se prontificava o Serrano para ser revistado, ó Serrano você importa-se que eu o reviste, dizia o Ferreira, de quê !!!! dizia o Serrano, á vontade, e de imediato se levantou, pronto par a revista e desejando que terminasse aquele clima de suspeição, começou a revista pelos bolsos do casaco que nada de anormal revelaram, toda a taberna estava presa ao desenrolar dos acontecimentos, já agora se não se importa deixe-me lá ver a talega da merenda insistia o Ferreira, sabendo o que se passava pegou nela com algum cuidado abriu-a, meteu a mão dentro, e como que se de um truque de ilusionismo se tratasse tirou de lá uma furoa branquinha, incrédulo o nosso amigo Serrano nem queria acreditar que alguém tivesse tido a coragem de lhe fazer tamanha maldade, nesse momento o seu grande desejo era vingar-se de ato tão ignóbil que o havia desacreditado e exposto a possíveis sanções legais perante tamanha assistência, despiu o casaco que com um gesto brusco atirou para um canto da taberna e dispôs-se para a luta, se é homem que salte prá qui o gajo que me fez isto exclamou!!!!!. Só depois de exaustiva explicação do seu grande amigo Lumumba as coisas acalmaram, já que havia sido este que aproveitando a sua ausência quando da ida á casa de banho, tinha tramado tudo indo buscar a sua furoa branquinha. Ó sócio (já que assim se tratavam em virtude da espingarda com que o Serrano caçava ser emprestada pelo Lumumba) agora pago eu uma rodada e fazemos as pazes exclamava o Lumumba, também está bem, respondia o Serrano, e rapidamente a taberna voltou ao são e fraterno convívio que á época se vivia. Partiu á uns anos atrás deixando Monsaraz mais pobre. 
"Foto e texto: Isidro Pinto"
A imagem pode conter: pessoas sentadas, mesa e interiores

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

QUERIDO ALENTEJO




QUERIDO ALENTEJO


Meu Alentejo querido
A fina flor de Portugal
Foste por Deus benzido
Um celeiro sem igual

Lindas paisagens Deus te criou
Terras férteis para cultivar
O homem no campo te amou
As tuas searas todos vão deleitar.

À sombra dos teus sobreiros
Descansam os teus pastores
Terra de muitos celeiros
Campos cultivados por agricultores.


És terra dourada
Cheia de louvores
Por nós idolatrada
Terra de grandes amores



"Texto de Francisco Pereira foto de Isidro Pinto" para Monsaraz a Caminhar

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

ARRABALDE DE MONSARAZ


Arrabalde de Monsaraz minha aldeia
Que tens muito que contar
Desde o ti Serrano ao ti Zé Ferreira
Figuras históricas que te colocaram a falar.
Foste construído na periferia de Monsaraz
Albergas muitas tradições
Fazer parte de ti, muito me apraz
Estarás sempre em nossos corações.
Ao alto tens a Igreja de S.Bento
Monumento antigo e altaneiro
Situado ao alto e ao vento
Dedicado ao nosso Padroeiro.
Sítio de mil encantos
Por nós sempre adorado
Tens bonitos recantos
És por Deus abençoado.
Aldeia maravilhosa
Com paisagens que aos olhos nunca encerra
Aldeia sempre vistosa
Arrabalde és minha terra.

"Texto e foto Francisco Pereira" para Monsaraz a Caminhar

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A PEREIRINHA E O BALÃO DO S. SEBASTIÃO



A PEREIRINHA E O BALÃO DO S. SEBASTIÃO




O Telheiro durante toda a primeira metade do século XX e até á década de 60/70 era sem dúvida alguma, a mais próspera aldeia da freguesia, tendo como tal, umas festas anuais capazes de rivalizar, ou ate suplantar quaisquer outras festas.
Tendo como padroeiro o S. Sebastião, sempre se realizavam a 20 de janeiro, não obstante ser inverno, sempre juntavam muita gente, quer vindas de outras aldeias da freguesia quer de freguesias vizinhas.
Tal como á época era hábito, também no Telheiro o culminar do fogo-de-artifício se fazia com o lançamento do balão.
Nessa época e que ninguém fique chocado, não havia luz elétrica nem agua canalizada, o que de alguma forma inviabilizava o ter casa de banho, ricos e pobres, todos tinham que fazer as suas necessidades fisiológicas no bacio (vulgo penico) ou, quando existia quintal, num local determinado deste, a que normalmente se chamava estrumeira, já que acumulava também outros detritos quer de animais, quer vegetais, ao ato de ir fazer as necessidades, utilizava-se muito o termo de IR-SE AGACHAR (ainda hoje essa expressão se utiliza muito entre as gentes mais velhas) e até nos trabalhos agrícolas, quando se dava por a falta de alguém e o manajeiro perguntava, logo os colegas diziam, a fulana ou o fulano foi-se agachar para detrás daquelas rochas, ou seja foi fazer as suas necessidades.
Nesse ano e a semelhança de todos os outros, corriam de feição as festas do Telheiro, que apesar de ser inverno não havia chovido permitindo assim, que todas as damas mostrassem os seus lindos vestidos e echarpes, e os homens os tradicionais capotes alentejanos onde apenas a gola definia os diferentes extratos sociais sendo as de raposa as da classe mais abastada.
Era sábado á noite e o leilão das fogaças, constituídas na sua grande maioria por enormes ramos de laranjas, oriundos das hortas da pega, tinha sido proveitoso.
Aproximava-se a hora do fogo-de-artifício e o respetivo lançamento do balão. O Telheiro não tinha propriamente um largo e era na ramificação das ruas, junto á casa dos Galegos que se fazia o arraial, muito próximo da casa onde onde vivia a ti Pereirinha e o marido Benvindo, como a noite já ia avançada e não sendo eles um casal de grandes festanças, á muito que se haviam recolhido.
Mais foguete menos foguete e era hora de lançar o balão, tarefa que nem sempre era bem-sucedida, sendo por isso momento de grande expectação, segura daqui levanta de ali e lá ia tudo ajudando a erguer o balão, enquanto o mestre fogueteiro, colocava a armação de arame que havia de levar a mexa que iria produzir o ar quente necessário para a subida, depois de um bom bocado ardendo com intensidade e á voz do fogueteiro LARGUEM todos largaram o balão, que velozmente subi-o empurrado pelos ventos fortes de poente, mas que depressa desapareceu, por entre os telhados circundantes, o que criou algum desnorte na assistência, correndo uns para baixo outros para cima, mas ninguém vislumbrava o balão, no meio de toda esta confusão surge de repente em roupas menores (combinação) a TI Pereirinha gritando AI QUEM ME ACODE!!! Logo a prioridade deixa de ser o balão e toda a gente se junta em volta da Pereirinha e esta continuava AI QUEM ME ACODE!!! Mas quem lhe acode o quê mulher? Gritavam alguns já impacientes, AI QUEM ME ACODE!!! Desembuche mulher, como quer que a gente lhe ajude se não passa disso, AI QUEM ME ACODE!!! ESTAVA AGACHADA no meu quintal, caiu lá um bocado do céu a arder FIQUEI TODA CHAMUSCADA!!! foi aí que alguns mais intrépidos, entraram portas dentro cujo enfiamento levava diretamente ao quintal, onde na referida estrumeira foram a encontrar o balão das festas a arder.
Episódios engraçados que fazem parte da história de uma comunidade
Obrigada Inácia Azevedo
"Texto de Isidro Pinto" para  Monsaraz a Caminhar

sábado, 5 de outubro de 2019

TONICO SARAMAGO E MANUEL OLIVEIRA AOS PATOS


Tonico Saramago e Manuel de Oliveira aos patos no Calvinos .



A caça á semelhança de muitas outras coisas sofreu nas últimas décadas grande evolução quer a nível de armas, de cartuchos e de todo o tipo de acessórios. Estaríamos talvez na década de sessenta, quando o Manuel Oliveira, ficou a saber que existiam patos de plástico, autênticas réplicas dos reais e que se destinavam a servir de chamariz para os outros. Porque á data era feitor no Roncanito resolveu nesse dia o Tonico Saramago (conhecido por todos nós com a alcunha do Siética) ir aos patos para as lagoas de Calvinos, tal como se impunha chegou por ali bem cedinho e com todo o esmero possível iniciou a construção do aguardo, (abrigo) cortou alguns ramos de freixo e com algumas varas de loendro e estevas foi dando forma aquilo que seria o seu esconderijo durante as próximas horas, havia que ficar bem feito já que os patos são extremadamente desconfiados e não podia correr o risco de ser visto, colheu mais umas varas de loendro e deu a construção por terminada, carregou para dentro todo o equipamento e certificou-se que nada que pudesse espantar os patos ficava á vista, era hora de preparar as negaças, patos de plástico comprados em Lisboa e aos quais havia que atar um bom bocado de fio de pesca para que fosse possível lança-los á água e posteriormente recupera-los, a manhã começava a clarear e adivinhava-se mais um dia de calor intenso próprio de Agosto no Alentejo um a um foi atando o fio e com a ajuda de uma vara comprida foi dispondo estrategicamente os patos dentro de água, por forma a que ficassem bem visíveis vistos do ar. Regressou ao aguardo tirou a espingarda de dentro da bolsa carregou-a e encostou-a a uma vara de loendro com uma pequena forca escolhida propositadamente para isso, tudo pronto pensou, só falta encontrar o apito que também lhe havia oferecido um amigo de Lisboa e que imitava na perfeição o quá quá característico dos patos, não foi difícil encontrar, já que sabia que devia estar no saco dos cartuchos, apenas faltava um pequeno pormenor, havia que pôr-lhe um bocado de fio para que pudesse pendura-lo ao pescoço e ficar mais perto da boca já que era um instrumento de sopro. A manhã já ia alta quando o Manuel Oliveira cansado de tanto esperar pelos patos decidiu abandonar o rudimentar abrigo que havia construído horas antes junto á lagoa comprida, toda a manhã tinha ouvido os patos na outra extremidade da lagoa e pelo barulho que faziam deviam estar por ali pousados, a distancia ainda era considerável talvez uns duzentos ou trezentos metros, decidiu arriscar por uma aproximação sorrateira pé ante pé, o caminho não era fácil mas servindo-se da vegetação existente lá foi avançando ao sabor das loendreiras, corricava de uma para outra tentando escapar ao ouvido e visão dos patos, quase a meio do percurso apercebeu-se que um pequeno grupo de patos passava por cima de si, ficou completamente imóvel e quase se cozeu ao chão numa tentativa de não ser visto, ouviu novamente o quá quá característico dos patos e pensou, são os que estão dentro de água que estão a chamar estes, talvez quando chegue por ali estejam todos pousados e seguramente mato um ou dois, avançava agora ainda mais confiante já não tinha duvidas que estavam por ali, tinha ouvido perfeitamente e ficado com uma noção mais exata da distancia que os separava, os cuidados na progressão eram agora redobrados mais que a visão, a partir deste momento não podia fazer qualquer ruído, olhava sempre antes de pôr o pé não fosse algum pau de esteva seca deitar por terra todo este esforço, não tardou começou por ver um pato dentro de água, têm que haver mais pensou, avançou mais alguns metros e de facto mais três, assim sim! Mato um pousado e depois com um pouco de sorte pode ser que derrube outro, pontaria cuidada e PUM como era leve e de plástico o pato voou um metro ou dois á frente do tiro, coisa que desnorteou um pouco o Oliveira e muito mais quando os outros ficaram impávidos e serenos algo de anormal se passava, atónito com o que se teria passado, olhou os canos da espingarda pensando que algum bocado podia ter abalado, pois não encontrava explicação para tão estranho tiro, não tardou saltou o Saramago do aguardo, GRITANDO O SUA BESTA VOCÊ NÃO VÊ QUE OS PATOS SÃO DE PLÁSTICO. O Oliveira tentando explicar o inexplicável argumentava, de plástico???? MAS EU ATÉ OS OUVI FAZER QUÁ QUÁ, QUÁ QUÁ FAZIA EU COM ESTE APITO SEU PALERMA dizia o Sietica. Durante muitos anos este episódio foi motivo de brincadeira com o Oliveira, principalmente no convívio das tabernas, onde havia sempre algum engraçadinho que se lembrava dos patos do Calvinos. Obrigado á família de ambos pela autorização para a publicação desta estória.
FIM
“Foto e texto. Isidro Pinto” Para Monsaraz a Caminhar

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

MONSARAZ, EM CADA PEDRA UMA HISTÓRIA POR CONTAR



MONSARAZ, EM CADA PEDRA UMA HISTÓRIA POR CONTAR



Em cada pedra da tua muralha
Há uma história por contar
Em nada o teu tempo encalha
Naqueles que te querem poetizar.
As tuas gentes, tuas gerações
Construíram a tua história
Recheada de contos e tradições
Que nos ficam na memória.
Do teu lindo amuralhado
Outrora se avistavam trevas
Hoje fica -se maravilhado
Por seres a varanda de Alqueva.
Desde a porta da vila, ao Castelo
Ao lado desta fortaleza de craveira
Travou grandes duelos
O Condestavel D. Nuno Álvares Pereira.
O teu majestoso castelo
De uma beleza sem igual
É sem dúvida dos mais belos
Deste nosso Portugal.
Monsaraz, és pérola alentejana
Iluminada em todo o teu esplendor
Princeza desta terra raiana
Para nós, o nosso grande amor.


"Autor do poema Francisco Pereira, foto Isidro Pinto" para Monsaraz a Caminhar

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

AS NOSSAS GENTES "TI ZÉ FERREIRA"


TI ZÉ FERREIRA

Hoje falamos de mais um dos nossos. Alguém que por ser meu tio, me deixou muitas saudades. O NOSSO "TI ZÉ FERREIRA". O "TI ZÉ FERREIRA", anos a fio, enquanto empregado da Junta de Freguesia, percorria as ruas da nossa vila a pé, com um carro que comportava dois contentores de lixo e material para limpeza. Nunca Monsaraz andou tão limpa como naquela altura.
Bastantes vezes, era eu gaiato, ia com ele ao boinho. Era artista a fazer e arranjar cadeiras com assento em boinho. Na Festa de Monsaraz, era ele que fazia o Leilão de Fogaças ao Senhor dos Passos. O leilão era feito sempre no Domingo de manhã no Adro da Igreja. Juntava sempre muita gente. Cada um oferecia o que podia e ali era leiloado. O "TI ZÉ FERREIRA" era uma pessoa castiça. Quando o encontravam a dormir sentado numa cadeira, é lhe perguntavam: "Então Ti Zé tá a dormir?". Ele logo respondia: "Não, tou só a passar pelos olhos" 😂. Quase todos os dias, garreava (discutia) com o sobrinho "Panchicha" por causa do burro.
Ninguém lhe podia falar mal do Joaquim Bastinhas, zangava-se logo. E se o Bastinhas fizesse parte do cartel, da tradicional tourada de 15 de Agosto em Reguengos, então aí era presença certa. Enfim gente da nossa gente. Vai-se a pessoa, fica a memória eterna. Um símbolo de Monsaraz, que todos os Montesarenses adoravam e que deixou bastantes saudades. O "TI ZÉ FERREIRA"...


"Autor do texto Francisco Pereira sobrinho do Ti Zé Ferreira"




AS PERIPÉCIAS DAS NOSSAS FESTAS

AS PERIPÉCIAS DAS NOSSAS FESTAS 



Mais um ano das nossas festas e este ano contra a vontade de todos mas sem culpa de ninguém, com algo de inédito, já que por imposição legal não tivemos fogo de artifício. Como lembrar peripécias é escrever a história da nossa comunidade, não sei se alguém se lembra, mas por volta do ano 1980/81 e sendo festeiros eu Isidro Pinto, o nosso amigo António Morais (Bunda), o Tonhico do Ti Morais, o José Figueiredo e outros mais que agora não me recordo, também não tivemos o tradicional fogo de artifício de Sábado à noite . Como era habitual tinha-mos comprado o fogo de artifício a uma empresa do norte do país que uns dias antes nos tinha feito a entrega dos foguetes, tendo ficado acordado que mais próximo da festa, o mais tardar sexta ou sábado de festa nos entregaria as rodas de fogo e os foguetes de lágrimas . As festas foram decorrendo com normalidade até à noite do fogo, terminada a tourada e todos nos ia-mos perguntando se o homem do fogo já tinha chegado, algo nos começava a preocupar seriamente e o nervosismo entre os festeiros era já evidente . À data os telemóveis eram inexistentes e o único contacto era o da casa do fogueteiro, de onde sempre nos garantiam que ele tinha saído bem cedinho rumo a Monsaraz, fizeram-se 10 fizeram-se 11e de fogo nada, terminado o concerto da banda e com o aproximar da meia noite depressa nos demos conta que estávamos metidos num grande sarilho, como iria-mos explicar àquele largo a abarrotar de gente que não havia fogo de artifício, não me recordo se tirámos á sorte mas se a memória não me atraiçoa acho que coube ao José Figueiredo a tarefa de subir à janela dos sermões e explicar debaixo de uma enorme vaia de assobios que não havia fogo preso . Temos um povo pacífico mas por pouco não fomos atados ao Pelourinho para castigo. Seria talvez entre as duas e três da manhã quando a camioneta do fogo entra em Monsaraz derrubando beirais de alguns telhados e com o condutor a cair de bêbado, o resultado não se fez esperar e mal chegou ao largo da igreja já tinha o Bunda pendurado dos colarinhos, como era evidente já não o deixamos descarregar e tão pouco lhe foi pago os foguetes anteriormente entregues . Parabéns comissão 2019 pelo excelente trabalho e por mais um ano de festa . Não fiquem tristes porque afinal não foi o primeiro ano que não tivemos fogo .

"Autor do texto Isidro Pinto" para Monsaraz a Caminhar

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

AS NOSSAS GENTES - O RABOLISTA E OS FOGUETES DA FESTA



O RABOLISTA E OS FOGUETES DA FESTA DO SR. JESUS DOS PASSOS


Hoje vamos recordar aqui através desta pequena estória mais um Montesarense, que deixou em todos nós imensa saudade o Ti Morais, bom homem, que apesar dos muitos gélidos Invernos e abrasadores Verões passados nas herdades do Xerez, Fonte Frades e Vaquinha foi para todos nós um exemplo de longevidade, faleceu com noventa anos, deixando á uns anos atrás Monsaraz mais pobre. Estimado por todos e de personalidade tão peculiar que ainda hoje se faz alusão a algumas expressões tão características do Ti Morais. Quando atingida a idade de reforma e abandonados os montes onde passara toda a sua vida, trouxe consigo para Monsaraz o fiel e inseparável companheiro Rabolista, cão de gado, de porte médio, pelagem cinzento-escuro, raça indefinida, mas a fazer lembrar um cão de fila. Habituado á vastidão das planícies Alentejanas onde os únicos ruídos era os chocalhos das vacas, ou algum assobio mais estridente do seu dono, teve o pobre bicho alguma dificuldade de adaptação á vida de vila, principalmente no período das festas anuais, onde desaparecia sempre por um período de quatro ou cinco dias, só regressando no final das mesmas, quase todos os cães tem medo dos foguetes mas o Rabolista não tinha medo, o Rabolista entrava completamente em pânico. As festas de Monsaraz são sempre no segundo Domingo de Setembro e é sempre na quinta-feira que antecede esse Domingo que chega o fogo de artificio e se veste o Sr. dos Passos, tradições que se cumprem á seculos, nesse ano nessa quinta-feira estava o Ti Morais e alguns Montesarenses mais, sentados na muralha ao fresco, á Porta da Vila, não sendo ainda dia de festa estava o Rabolista completamente distraído dormitando junto aos pés do seu dono. Era um fim de tarde quase noite e no ar já se respirava festa, quando passa por eles a camioneta que transportava o fogo, alguém de entre o grupo e porque era conhecido o pânico do Rabolista aos foguetes exclamou, Uiii!!! Se o Rabolista soubesse o que ai vai não estava a dormir tão descansado!!! Já tiraram o sossego ao pobre animal, acrescentava outro também ele conhecedor daquele ponto fraco do Rabolista. Ò Rapazes se vocês vissem este cão agarrado ao rabo de uma vaca nem acreditavam, não havia vaca ou touro que lhe metesse medo, na vacada da herdade da vaquinha havia lá um toro Salamanquino que o gajo era velhaco, o moiral que estava lá antes de eu para lá ir que era o Chico da Amieira, chegou a dormir encima dos chaparros com medo do bicho, o gajo de noite procurava a cama do moiral - ó Ti Morais não me diga que também dormia encima dos Chaparros? Perguntava um dos mais novos de entre os presentes, olha rapaz não dormia, porque eu tinha o Rabolista capaz de enfrentar o touro até às ultimas consequências para me defender, isto era um cão valente, dizia o Ti Morais tentando salvar a honra do seu fiel amigo, bha… tão valente tão valente que assim que deitarem um foguete nunca mais miguem o vê, dizia outro dos presentes, lá isso é verdade, dizia o Ti Morais só agora desde que veio para Monsaraz é que ficou meio mariquinhas e até dos foguetes tem medo concluía, é lá Ti Morais o vir para Monsaraz não faz ninguém mariquinhas, dizia um que também tinha chegado á uns anos atrás á vila, bem não sejam maldosos que vocês sabem o que quis dizer dizia o Ti Morais. Tradições são tradições e aqui era e continua a ser, sempre que descarregado e arrumado o fogo de artificio, lançado um foguete que todos os Montesarenses sabiam significava precisamente isso, que havia chegado o fogo e que as festas estavam aí, só o Rabolista foi apanhado completamente de surpresa, e que foi de tal ordem QUE, IGNORANDO COMPLETAMENTE O QUE ESTARIA NO VAZIO DO OUTRO LADO DA MURALHA, MAS POR MUITO MAU QUE FOSSE SERIA SEGURAMENTE MELHOR QUE AQUELA COISA QUE, FAZIA SHE…..PUM….. ATIROU-SE DA MURALHA PARA BAIXO. Apesar da altura ser bastante, apareceu um dia ou dois depois do final das festas felizmente sem mazelas de maior. Obrigado Manuel, obrigado João Jacinto e obrigado Tonhico pela autorização para publicar esta pequena estória. Recordar as nossas gentes é uma forma de homenageá-los.


"Autor texto e fotos Isidro Pinto" para Monsaraz a Caminhar

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

AS NOSSAS GENTES - Recordar um Montesarense



VAMOS CONTINUAR A FALAR DAS NOSSAS GENTES.



Hoje vamos recordar um Montesarense de nome António Pego mas conhecido por todos nós pelo Farinhas, também ele migrado para a cintura industrial de Lisboa na década de 60/70 na procura de condições de vida que o Alentejo lhe negava. Talvez poucos de nós saibamos que ao entrar no que é hoje e desde á largos anos o restaurante Lumumba, era antigamente a taberna do Pintassilgo e que na sala de entrada onde anteriormente era a taberna existem pintados na parede dois quadros: Um alusivo a uma cena de taberna e outro a uma cena de campo e foram pintados pelo Farinha.

Pintor autodidata de quem ainda me lembro de ver alguns mostradores de relógios de pulso ou algibeira pintados com motivos rurais pelo Farinhas.

Mestre de dança ou ensaiador de baile da pinha foi de facto uma figura marcante numa determinada época. Pintou alguns quadros, sendo que a sua maioria foi para oferecer, apenas restando na família dois ou três.

Obrigado Farinhas pelo legado que nos deixou. Obrigado Lumumba por preservar até hoje aquilo que é seu mas que são memórias de todos nós. Os meus agradecimentos à Gina Alves pela autorização deste pequeno texto sobre o seu pai.

"Autor do texto e fotos  Isidro Pinto" para Monsaraz a Caminhar




sábado, 24 de agosto de 2019

OS MEDOS E OS MITOS


O BUNDA E O MEDO DA TORRE DAS FEITICEIRAS



Monsaraz era á época e á semelhança de quase todas as vilas acasteladas campo fértil para a imaginação dos medos e bruxarias, era frequente dizer-se que aparecia um medo aqui ou acolá, andava o meu amigo António Morais, conhecido por todos nós pelo Bunda como ajuda do alavão (conjunto de tarefas inerentes a ordenha e fabrico dos queijos) no monte do Xerez e como á época já namorava a ti Rosa eram frequentes as vindas a Monsaraz, o trabalho era de sol a sol o que implicava que tudo o resto se fazia de noite.

Na ladeira da Barca e quase a chegar ao S. Cristóvão, era o sítio onde se dizia que aparecia um medo, nessa noite, depois do namorico passou ainda pela taberna e deixou que a noite fosse um pouco mais avançada que o normal, afinal era um jovem e aos jovens nada lhe mete medo, passou por casa dos pais e pegou o pequeno alforge com o pão que havia de levar para a malhada, alforge ao ombro bordão de zambujo na mão e um ultimo olhar ao pequeno relógio de algibeira que lhe havia ofertado o seu avô no dia dos seus dezoito anos, quase meia noite, não era medroso, mas lembrou-se que era a hora que diziam que aparecia o medo por de trás do castelo, um respiro de jovialidade e pensou para si á!!!! Balelas, ele que apareça que ainda leva com o zambujo no lombo. Saiu pela porta de Alcova e passando por detrás do Castelo, apanhou a ladeira da Barca que o havia de levar ao S. Cristóvão e posteriormente ao Furado, rumo ao monte do Xerez, a noite escura como breu não deixava ver um palmo á frente do nariz, estava agora já na ladeira da Barca e quase a chegar ao S. Cristóvão, quando, como se alguém lhe tivesse passado uma rasteira ou apanhado os dois pés ao mesmo tempo se estatelou completamente ao comprido, o alforge saiu-lhe do ombro e o bordão quase lhe caia da mão, tateando no escuro, levantou-se apanhou o alforge e ó pernas para que te quero, não corria porque a escuridão não o deixava mas tentava sair dali o mais depressa possível, porque afinal aquela coisa do medo se calhar era verdade, alguém o tinha derrubado. O caminho até ao monte foi feito em tempo recorde. Não contou a ninguém, mas jamais lhe saía da cabeça, no dia seguinte, necessitando de ir a Monsaraz e terminada a ordenha das ovelhas da manhã, foi o Bunda falar com o Bolas (encarregado dos queijos).

- Ó ti Bolas vossemecê hoje devia deixar-me sair mais cedo para eu ir a Monsaraz.

- Outra vês Tonho, olha que aquilo não se acaba dizia o Bolas, deixando escapar algum ar malicioso fazendo entender que se referia ao namoro do Bunda

-Não senhor não é isso é que queria ir ao Telheiro á dos Patinhas tirar medida para umas botas, e queria chegar por ali ainda de dia, dizia o Bunda, já mais iria deixar entender que na noite anterior se ia borrando todo com o medo da Torre das Feiticeiras. Convencido o Bolas lá consegui-o a solta (termino do dia de trabalho) um bocado antes do pôr do sol.

Alforge ao ombro, bordão de zambujo na mão, tomou a estrada do monte que o havia de levar a Serra do Xerez e posteriormente a apanhar a Ladeira da Barca. Era um fim de tarde primaveril, onde os cheiros se confundiam e a vida fervilhava á sua volta, ouviam-se cantar as perdizes e os coelhos corriam á sua frente a esconder-se nos covais, aqui e ali um outro mocho empoleirado em alguma pedra mais alta, esperando que chega-se o anoitecer. Para traz haviam ficado já a Vinha das Soalheiras e a Cova da Mulher, caminhava já na Ladeira da Barca quando se deu conta que embalado por tudo o que o rodeava, se esqueceu momentaneamente do motivo da sua ida a Monsaraz, e do Medo da Torre das Feiticeiras, á medida que se aproximava do lugar dos acontecimentos, voltavam a si os receios e as perguntas sem resposta, que coisa teria sido aquela? Que de uma forma tão limpa o derrubara puxando-lhe os dois pés ao mesmo tempo e que ruído teria sido aquele? Que se assemelhava ao restolhar de algo que se afastava. Não era medroso! Mas tinha que admitir que ontem lhe tinham feito meter as cabras no curral, avistava já a Torre das Feiticeiras e pelas suas contas não devia estar longe, do lugar onde o medo lhe apareceu, apanhou o bordão com mais firmeza, levantou-o, deixando que descaísse sobre o ombro, ficando assim a meio caminho de dar uma boa bordoada se fosse necessário, a atenção era agora redobrada, tentando encontrar uma pegada ou algo que o pudesse ajudar a esclarecer tudo aquilo, nada, a não ser um burro branco, que pastava num dos currais junto á ladeira, que nesta zona é delimitada por pequenos muros de pedra, foi ao aproximar-se mais que se deu conta que havia uma corda atravessada na ladeira, alguém tinha prendido um burro no curral de cima, mas este saltara os muros, para o curral de baixo fazendo com que a corda ficasse em tenção a atravessar a ladeira.

Falava agora o Bunda sozinho. Á BURRO DUM LADRÃO QUE ME PREGASTE UM CAGAÇO DE MORTE. estava para ele explicado o medo da torre das feiticeiras.

OBRIGADO BUNDA OXALA O TEMPO NOS DÊ TEMPO PARA CONTARMOS MUITAS ESTÓRIAS


"Autor texto e fotos Isidro Pinto" para Monsaraz a Caminhar



sexta-feira, 9 de agosto de 2019

ASSIM SE CANTA EM MONSARAZ


VAMOS VALORIZAR O QUE É NOSSO ……….
GRUPO CORAL DA FREGUESIA DE MONSARAZ







GRUPO CORAL DA FREGUESIA DE MONSARAZ

Monsaraz terra de excelentes vozes, teve o seu primeiro grupo coral dedicado à divulgação do cante alentejano, em princípios de 1975. A Casa do Povo, proporcionou-lhes então todo o apoio logístico possível na altura, tendo suportado as despesas de aquisição do traje e facultado instalações para os ensaios. Este grupo, por vários motivos, parou a sua atividade em 1980.
Em 1985, sob a égide da Assembleia de Freguesia de Monsaraz, o Grupo voltou a reconstituir-se, tendo como membros participantes a maioria dos elementos do anterior. Ensaiava nas instalações da Junta de Freguesia e da Misericórdia. Também devido a circunstâncias diversas, veio a desaparecer no início de 1990.
Em 2002 renasce novamente o Grupo, e de novo com a maioria dos elementos que compunha os anteriores, pessoal nascido e residente na nossa freguesia, com profissões nas mais variadas áreas desde a pastorícia á indústria da restauração e hotelaria.
O Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz escolhe para seu traje um fato domingueiro em usos nesta região nos fins do século XIX princípio do século XX. Desde o chapéu às botas, passando pelas camisas e jaquetas, pretendeu-se dar a conhecer e manter um traje muito habitual no ambiente em que muitas vezes o cante alentejano se praticava – aos domingos e dias de festa ou em ambientes de relação social – quando se tomava um copo nas tabernas, adegas ou em festas de família.
O Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz fez a sua reapresentação pública em 24 de agosto de 2003, em Monsaraz, após uma cerimónia religiosa de consagração a Santa Maria da Lagoa, orago da Freguesia de Monsaraz.
Em julho de 2005, o “GRUPO CORAL DA FREGUESIA DE MONSARAZ” edita o seu primeiro trabalho discográfico com o lançamento de um CD com o título “Monsaraz Varanda do Alqueva”, em julho de 2011 apresenta um novo álbum (DVD/CD) com o título “Monsaraz - águaterracante”, e, em dezembro de 2014 apresenta o DVD/CD “Monsaraz do Natal aos Reis”, este com a participação do Grupo à Capela (dos Açores) Manuel Sérgio e José Farinha e ainda do Quarteto de Cordas Baccus, contendo apenas e só cante religioso praticado nesta zona do país.
Realiza anualmente um Encontro de Grupos Corais – “A Festa do Cante nas Terras do Grande Lago” – (último fim de semana de julho) e ainda um “Concerto de natal c/ Cantes ao Menino, e cante de Reis pelas ruas da vila”, em Monsaraz.
Tem uma média aproximada de 30 atuações por ano, de Norte a Sul do País, em eventos de autarquias locais, colóquios, feiras temáticas, festas populares, programas de televisão e de rádios locais e regionais, encontros de grupos corais, etc….
Presentemente o grupo é composto por vinte e cinco cantadores, numa faixa etária entre os 14 e os 82 anos de idade, todos eles oriundos do Concelhos de Reguengos de Monsaraz, e tem a sua sede na Casa do Cante em Telheiro-Monsaraz (Adaptação da antiga escola primário).
Mestres do Grupo:
Até junho de 2004 António Joaquim Morais Cardoso 
Desde Junho 2004 Serafim Berjano da Silva

"Autor texto e fotos Isidro Pinto" para Monsaraz a Caminhar